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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

CONTO DE TERROR - ESQUENTA PARA O ZOMBIE WALK RIBEIRÃO PRETO





Para quem esta contando os dias para o próximo Zombie Walk e não aguenta mais de expectativa, segue um conto de terror que vai deixa-los de cabelo em pé e já serve como esquenta para o encontro derradeiro com a horda de zumbis no final desse mês. Boa leitura:

Eu tenho medo, ou melhor, tenho terror de três coisas nessa vida: Tubarão, demônio e zumbi. Não tudo junto, tipo um tubarão demônio morto-vivo ou um zumbi infernal, nada desse tipo. Terror Solo. Tubarão. Demônio. Zumbi. Meus amigos morrem de rir da minha cara por que tenho medo de zumbis. Um ou dois deles compartilham meu terror, o restante me acha louco. Acreditar em zumbis? Bobalhão. Não respondo a isso, quando a invasão da horda dos mortos começar, os preparados serão aqueles com o conhecimento e com o medo necessário para lutar.


Outra coisa importante a ser mencionada e devo dizer que é uma das coisas que mais odeio na vida é pesadelo. Mas não me refiro àqueles pesadelos sonsos, estou falando de pesadelo hardcore mesmo, dos que você acorda ou gritando ou molhado de suor ou espancando o ar. Pior que esses pesadelos, só quando você fica preso no pesadelo do pesadelo. Cara, para que isso? Quem inventou isso? Você já está aterrorizado o suficiente quando você pseudo acorda, para que te deixam em outro pesadelo? Vivendo outra agonia sem fim, sem saber se dessa vez é ilusão ou realidade. O que venho lhes narrar é sobre esse pânico, do pesadelo sem fim:


Meu sono não poderia estar melhor, depois de um ótimo dia de trabalho, um jantar romântico com a esposa, o corpo cansado, satisfeito, a cama nunca esteve tão convidativa. Mal deitei meus olhos já procuravam fechar, fiquei naquele limiar entre o sono e o acordar, quando você não sabe se ainda está acordado, ou se já se entregou para Sandman. Me deu vontade de ir no banheiro. Estúpido, sempre faço isso, deito antes de ir ao banheiro. Levantei, calcei meu chinelo no escuro, fui apalpando a parede no escuro para chegar até o banheiro sem precisar ligar a luz e acordar minha esposa. Quando cheguei lá, apertei o interruptor e quando a luz acendeu, me deparei com minha imagem no espelho, face de sono, de preguiça. Subitamente, um frio na espinha, uma sensação ruim, inexplicável. Como se algo estivesse me rodeando, me espreitando. Uma entidade maligna. Minhas pernas bambearam, meu primeiro instinto foi buscar o refúgio de minha cama, junto à minha esposa. A porta bateu, minha nuca travou, o terror começando a me consumir. A porta trancou e a luz apagou, me senti um animal acuado, indefeso, estava a mercê daquela coisa, aterrorizado, encolhido. Como último recurso, me virei em direção ao espelho, para tentar me ver apenas com a luz do luar. Tudo que vi foi uma imagem distorcida de mim mesmo, estava possuído, grotesco, os olhos amarelos, rosto rasgado, pálido, demoníaco, não era mais eu.




Acordei com um pulo, respirando fundo, rápido. Tateei a cama buscando minha esposa, ela estava lá, respirando pesado, sono profundo. Busquei no escuro minha caneca de água, para me acalmar. No primeiro gole, escutei um gemido longo e gutural, bem no meu quintal. Arrepiou minha espinha, devo ter molhado a cama com a água, tamanho meu pulo. O que diabos foi aquilo? Cutuquei minha esposa, nada. Respirando pesado, sono profundo. Outro gemido, e outro, barulho de porta abrindo, alguma coisa estava acontecendo na minha casa, e eu, o machão, travado na cama, com uma canequinha de água tremendo como vara de bambu. Levei a mão até às costas de minha esposa, estava ensopada. Burro, no susto acabei molhando-a, como ela não acordou? Não senti sua respiração dessa vez. Estranho, cheiro de ferro. E o molhado nas costas dela não era aquoso, era espesso. Cadê a respiração dela? Chamei uma vez. Duas. Gemidos ao fundo. Um gemido ao meu lado. Meu coração começou a palpitar, não suportei o terror e busquei a segurança da luz. Apertei o interruptor, olhei para minha esposa e quase caí da cama. Suas costas estavam banhadas em sangue, um ferimento profundo, parecia uma mordida. Estava de costas, seu cabelo escondia seu rosto. O corpo não se mexia. Gemidos no hall do quarto. Olhei em pânico, criaturas hediondas, putrefatas. Zumbis. Chacoalhei minha esposa, em pânico, estávamos acuados, ela se mexeu, finalmente. Chamei por ela, sua cabeça se virou em minha direção. Terror. Seu rosto estava pálido, seus lábios negros. Seus olhos estavam pastosos, brancos. Ela abriu sua boca, dentes ensanguentados, gemido gutural. Era meu fim.






Acordei novamente. Dessa vez não quis saber, me arremessei em direção ao interruptor, que fica ao lado de minha cama, nas minhas costas. Fato consumado e indiscutível é que o humano está tão acostumado com cotidiano, que qualquer coisa fora do comum, pode literalmente te dar um tombo. Foi mais ou menos o que ocorreu comigo, não tinha interruptor lá, nem sequer uma parede, passei no vazio e meu corpo arremessou-se no vazio. Fiquei esperando o chão, a dor do tombo de cair no escuro, mas ao invés do impacto duro do chão, senti meu corpo mergulhar na água gelada, o frio travando meus músculos. Acidentalmente, acabei engolindo um pouco da água. Salgada. Água do mar. Porcaria, outro maldito pesadelo, caí da minha cama no mar. Me belisquei, sempre vi esse truque em filmes. Dor lancinante, nada de acordar. Porcaria, eu estava num cruzeiro? Cadê minha cama? E o navio? Procurei naquela imensidão e de mar negro, escuro, iluminado apenas pelo brilho da lua. Nada, só as ondulações do mar e algo estranho se movimentando a alguns metros de mim, uma barbatana. Ah não, só podia ser sacanagem. O que espera que se faça quando se está perdido em alto-mar e uma porcaria de uma barbatana está lhe rodeando? Por que não ensinam isso no Discovery channel, Animal Channel, qualquer channel? Bom, seja o que fosse, eu não poderia entrar em pânico, ia ter que lutar. Comecei a nadar em direção a barbatana, já estava de saco cheio de tudo aquilo, vi em algum canal de tv que se você mete um murro no nariz de um tubarão, eles fogem de você como o diabo foge da cruz. Eu ia partir para o ataque, descer o braço naquela porcaria. Afinal, que chance eu tinha, nadar e fugir dele? A barbatana, veio em minha direção, choque inevitável. Fui imaginando milhões de golpes, se preciso iria mordê-lo, arrancar o focinho dele na dentada. Poucos metros. A barbatana abaixou no mar, preparação pra o ataque. Quase desfaleci. Uma criatura imensa saiu do mar, uma bocarra aberta pronta para me engolir. Aquilo não era um tubarão da tv, parecia um gigantesco monstro, de tempos imemoriais, uma criatura que não deveria existir em nosso mundo. Que chance eu tinha, mal tive tempo de urinar, ela desceu sua bocarra, me agarrou com seus milhares de dentes. Nenhuma chance. Dor excruciante, o que estou fazendo em alto-mar, eu odeio mar...






Acordei assustado, pulei da cama, acendi a luz, verifiquei minhas partes baixas para ver se eu não tinha me molhado a noite. Tudo em ordem. Bronca da esposa, porque liguei a luz. Inventei uma desculpa, apaguei e rapidamente fui ao banheiro. Me olhei no espelho, estava suado, com o rosto em pânico. Mas agora eu parecia estar acordado. Agora eu estava novamente na realidade, mas será que eu saberia separar novamente a ilusão da realidade? Um gemido ao fundo... Porcaria!


Autor: Julio Parancini

É isso aí pessoal, nos vemos no Zombie Walk. Até lá!!!!!!!

5 comentários:

  1. Cagão! ^_^

    Ah! O tubarão se chama tubarão viúva-negra, você deve se lembrar dele de desenhos como Thundercats, ou...ah! era só lá mesmo ^_^

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  2. hehe, mantena...
    nossos medos são os mesmos, mas ninguém entende.

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  3. Quando o inferno estiver cheio, eles vão entender
    Oo

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  4. eu nao acredito dessa coisas porque e feito so para assustar as pessoas e claro que algumas coisas eu acredito mas nas outras nao

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